A 21ª Edição da Festa da Vinha e do Vinho trouxe também a 1ª Conferência Arruda Lab, um espaço de desenvolvimento do setor agroindustrial da região, que foi lançado pela autarquia com o objetivo de ser mais um polo de partilha de conhecimento e inovação no concelho de Arruda dos Vinhos.

O primeiro espaço de debate deste Arruda Lab aconteceu no dia 15 de novembro, nas instalações da Adega de Arruda, contou com a moderação do Presidente da Adega, Márcio Pereira, os contributos de vários especialistas e um Salão Nobre cheio de interessados em ouvir falar sobre o assunto do clima e da vinha. Foi um enorme orgulho receber esta conferência dedicada ao tema “As alterações climáticas e o seu efeito na vinha”, onde foram abordadas várias questões relacionadas com as alterações que se têm feito sentir nos últimos anos e que vão continuar a ser uma realidade nas próximas décadas. “As alterações climáticas sempre existiram, mas desde os últimos anos do século XX que elas são mais severas, isso é uma realidade e Portugal não escapa a ela.”, afirmou José Melo Abreu, professor do Instituto Superior de Agronomia e especialista em climatologia e agrometeorologia. “Vamos continuar a ter um agravamento das secas em geral, principalmente no sul da Europa e também vai continuar a existir uma maior erosão dos solos devido às chuvas muito fortes, o que também contribui para a diminuição da produção.”, continuou o professor universitário, que apontou a aposta em castas mais adaptadas a este tipo de clima como uma das medidas necessárias para contornar a realidade.

Esta opinião foi partilhada por António Ribeiro, engenheiro da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Santarém, que também falou sobre a necessidade de monitorizar a “pegada hídrica”, ou seja, o consumo de água necessário para produzir um litro de vinho. Sobre a pegada hídrica, foi apresentado o projeto Wine Water Footprint, da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Santarém, que tem por objetivo caraterizar os padrões de consumo de água e mitigar esses consumos no que à produção de vinho diz respeito. Em Portugal gastam-se, em média, 580 litros para produzir um litro de vinho. A nível mundial esta média é de 870 litros de água por cada litro de vinho. O projeto Wine Water Footprint vai disponibilizar um simulador online onde os produtores poderão analisar a sua pegada hídrica.

De um modo geral, a seleção das castas e sua adaptabilidade ao clima, a necessidade de proteger a vinha de escaldões e granizos e a importância dos seguros de produção foram algumas das medidas apontadas por todos os especialistas para fazer face às alterações climáticas e à quebra que estas têm provocado na produção.

No final da conferência, André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda, sublinhou a importância do projeto Arruda Lab para o caminho de crescimento sustentável que o município de Arruda quer continuar a trilhar. “Queremos trazer a ciência para ajudar na resolução dos problemas reais da economia e da sociedade. O conhecimento aplicado ao setor empresarial e é para isso que surge o Arruda Lab.”, referiu. Quanto ao tema desta primeira conferência, o autarca sublinhou que é mais um passo no sentido de pôr o assunto das alterações climáticas na agenda política e comprometeu-se em continuar os esforços já iniciados para que os municípios do Oeste sejam recebidos pelo Ministro da Agricultura, depois do último verão muito quente e seco, que destruiu grande parte da colheita de 2018.

A Festa da Vinha e do Vinho continuou durante todo o fim-de-semana com a habitual animação, mostras de artesanato, doçaria e petiscos regionais e muitos vinhos!

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