coloquio-3No âmbito da Convenção Arruda 2025, o enoturismo e o setor agroindustrial esteve em debate, no dia 13 de fevereiro, numa sessão que decorreu na freguesia de Arranhó. O painel foi moderado pelo Presidente da Adega de Arruda, que começou por fazer um enquadramento da realidade atual do setor vitivinícola na região de Arruda. “É necessária e essencial uma gestão profissional e empresarial, nas adegas cooperativas, na de Arruda em particular. Ainda existe algum estigma negativo em relação às adegas e isso não corresponde à verdade, as adegas produzem vinhos de grande qualidade e têm que se modernizar para acompanhar o mercado e as exigências dos consumidores atuais”, referiu Márcio Pereira. O atual Presidente da Adega acrescentou ainda que o enoturismo se reveste de grande importância porque é uma forma de fidelizar os clientes, pelo que vai ter que ser uma aposta séria da Adega e de Arruda, enquanto região produtora de vinho.

O painel de debate contou com a presença de Vitor Barros, antigo Secretário de Estado da Agricultura, e com Luís Ferreira Lopes, Editor de Programas de Informação da SIC e apresentador do programa “Sucesso.pt”. Luís Lopes deu vários exemplos de empresas que percorreram um caminho até ao sucesso, não sem antes ultrapassarem alguns problemas. “No contexto agroindustrial existem imensos casos de sucesso, como a Frubaça, que vende sumos para o Harrods, a expansão da Lactoaçores ou produtores de azeite, tubérculos e legumes que, depois de se associarem, conseguiram ganhar poder negocial com as grandes superfícies e colocar o seu produto no mercado com valor acrescentado”, sublinhou o jornalista. Para Luís Ferreira Lopes em Arruda dos Vinhos deve-se tirar partido da proximidade com Lisboa, transformando isso numa oportunidade, e também dos concelhos limítrofes, como Alenquer, Torres ou Vila Franca, para que o conceito de enoturismo passe a ser uma realidade conseguida na região.

Vitor Barros partilhou da mesma opinião e sublinhou que “neste momento existe um cluster em Arruda que está a funcionar bem”. “Continuem com esta perspetiva e, em relação ao enoturismo, o conselho que deixo é que criem um Conselho Regional de Enoturismo. Se não for, desde já, regional, que se comece por um organismo concelhio, mas o importante é que os parceiros se sentem à mesa e dialoguem sobre este assunto para encontrarem estratégias comuns de valorizar o património vitivinícola da região, com todo o potencial que isso representa para o enoturismo”, salientou Vitor Barros.

Márcio Pereira terminou o debate, alinhando pela mesma ideia e frisando que a aposta da Adega de Arruda vai continuar a ser na “valorização do produto e na qualidade”. Avançou ainda que, no trabalho de renovação, inovação e requalificação que está a ser feito pela nova direção da Adega, vai ser criado um Gabinete de Apoio ao Produtor com o objetivo de apoiar os produtores a terem as ferramentas certas para valorizar o seu produto na origem: a vinha e a uva.